17 de dezembro de 2009
Que é o calvinismo? [final]
16 de dezembro de 2009
Bíblia e Predestinação [5] - Deus decreta pecados?
Este texto já foi postado anteriormente no meu blog pessoal, o Reforma e Carisma, mas é pertinente à série que me propus a expor aqui. Quem quiser ler a versão original, é só clicar neste link. A versão aqui apresentada tem algumas alterações e explica as dúvidas que possam ter surgidos nos posts anteriores sobre a conciliação entre a soberania de Deus e a existência do mal e a liberdade humana.
I. Pela sua muito sábia providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável conselho da sua própria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória da sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as suas criaturas, todas as ações e todas as coisas, desde a maior até a menor.
Ref. Nee, 9:6; Sal. 145:14-16; Dan. 4:34-35; Sal. 135:6; Mat. 10:29-31; Prov. 15:3; II Cron. 16:9; At.15:18; Ef. 1:11; Sal. 33:10-11; Ef. 3:10; Rom. 9:17; Gen. 45:5. (CFW, cap. V. art. 1)
I. Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade, que ele nem é forçado para o bem ou para o mal, nem a isso é determinado por qualquer necessidade absoluta da sua natureza.
Ref. Tiago 1:14; Deut. 30:19; João 5:40; Mat. 17:12; At.7:51; Tiago 4:7. (CFW, cap. IX, art.1)
Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis; sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos... (Atos 2:22-23)
porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram..." (Atos 4:27-28)
Perguntou ainda o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. (Jó 1:8)
Disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão. E Satanás saiu da presença do SENHOR. (Jó 1:12)
e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR! (Jó 1:21)
Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma. (Jó 1:22)
Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá. (2 Samuel 24:1)
Então Satanás se levantou contra Israel e incitou Davi a levantar o censo de Israel. (1 Crônicas 21:1)
Disse Davi a Deus: Não sou eu o que disse que se contasse o povo? Eu é que pequei, eu é que fiz muito mal; porém estas ovelhas que fizeram? Ah! SENHOR, meu deus, seja, pois a tua mão contra mim e contra a casa de meu pai e não para castigo do teu povo. (1 Crônicas 21:17)
Por meio dos teus servos, afrontaste o Senhor e disseste: Com a multidão dos meus carros, subi ao cimo dos montes, ao mais interior do Líbano; deitarei abaixo os seus altos cedros e os ciprestes escolhidos, chegarei ao seu mais alto cimo, ao seu denso e fértil pomar. Cavei e bebi as águas e com a planta de meus pés sequei todos os rios do Egito. Acaso, não ouviste que já há muito dispus eu estas coisas, já desde os dias remotos o tinha planejado? Agora, porém, as faço executar e eu quis que tu reduzisses a montões de ruínas as cidades fortificadas. (Isaías 37:24-26).
Não há remédio para a tua ferida; a tua chaga é incurável; todos os que ouvirem a tua fama baterão palmas sobre ti; porque sobre quem não passou continuamente a tua maldade? (Naum 3:19)
Micaías prosseguiu: Ouve, pois, a palavra do SENHOR: Vi o SENHOR assentado no seu trono, e todo o exército do céu estava junto à ele, à sua direita e à sua esquerda; Perguntou o SENHOR: Quem enganará a Acabe, para que suba e caia em Ramote-Gileade? Um dizia desta maneira, e outro, de outra. Então, saiu um espírito, e se apresentou diante do SENHOR, e disse: Eu o enganarei. Perguntou-lhe o SENHOR: Com quê? Respondeu ele: Sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse o SENHOR: tu o enganarás e ainda prevalecerás; sai e faze-o assim. Eis que o SENHOR pôs um espírito mentiroso na boca de todos estes teus profetas e o SENHOR falou o que é mau contra ti. (1 Reis 22:19-23)
Deus tenta os homens?
Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. (Tiago 1:13)
IV. A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira queda e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto não por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, para os seus próprios e santos desígnios, sábia e poderosamente os limita, e regula e governa em uma múltipla dispensarão mas essa permissão é tal, que a pecaminosidade dessas transgressões procede tão somente da criatura e não de Deus, que, sendo santíssimo e justíssimo, não pode ser o autor do pecado nem pode aprová-lo.
Ref. Isa. 45:7; Rom. 11:32-34; At. 4:27-28; Sal. 76:10; II Reis 19:28; At.14:16; Gen. 50:20; Isa. 10:12; I João 2:16; Sal. 50:21; Tiago 1:17. (CFW, cap. V, art. IV).
15 de dezembro de 2009
Heresias escondidas dentro de uma cabana
Como ainda estou sem tempo para dar continuidade à série sobre os textos supostamente "arminianos" da Bíblia, estou repostando um texto antigo, que escrevi no Optica Reformata (aqui). Vai que alguém queira dar A Cabana de presente de natal a um parente, amigo, irmão...
O escritor canadense William Paul Young saiu do anonimato para a fama ao publicar um livro que se tornaria, em muito pouco tempo, um verdadeiro sucesso. Com mais de dois milhões de cópias vendidas e status de best-seller, “A Cabana” tem cativado a mente de muitas pessoas ao redor do mundo, especialmente/inclusive dos cristãos. Em linhas gerais, o livro conta a história de Mackenzie Allen Phillips, o “Mack”, um pai de família que encontra a Deus depois de ter sua filha caçula, Missy, raptada e brutalmente assassinada por um maníaco assassino de crianças (um serial killer). Cerca de três anos e meio depois do ocorrido, Deus, ou melhor, “Papai”, manda uma carta para Mack marcando um encontro com ele exatamente na cabana onde a polícia havia encontrado o vestido usado por Missy todo encharcado de sangue. Mack, depois de lutas intensas consigo mesmo, resolve aceitar o “encontro”, mesmo desconfiando de uma possível cilada do assassino de sua filha. Ao chegar lá, Mack tem uma, ou melhor, três surpresas: Deus lhe aparece na pessoa de uma mulher “negra enorme e sorridente” (pág. 73). Logo depois aparecem o Espírito Santo, na pele de uma mulher asiática, chamada Sarayu, e Jesus, um homem médio-oriental (hebreu, pra ser mais preciso) vestido de calça jeans e camisa xadrez. A partir de então, Mack vai viver uma inesquecível aventura ao lado dessa ilustre “Trindade”. [Mack] Percebeu que estava travado e que as orações e os hinos dos domingos não serviam mais, se é que já haviam servido [...] Mack estava farto de Deus e da religião, farto de todos os pequenos clubes sociais religiosos que não pareciam fazer nenhuma diferença expressiva nem provocar qualquer mudança real. Mack certamente desejava mais (pág. 54 – versão digital. Itálico meu).
Papai não respondeu, apenas olhou para as mãos dos dois. O olhar de Mack seguiu o dela, e pela primeira vez ele notou as cicatrizes nos punhos da negra, como as que agora presumia que Jesus também tinha nos dele. Ela permitiu que ele tocasse com ternura as cicatrizes, marcas de furos fundos, e finalmente Mack ergueu os olhos para os dela (pág. 86. Itálico meu).
Não somos três deuses e não estamos falando de um deus com três atitudes, como um homem que é marido, pai e trabalhador. Sou um só Deus e sou três pessoas, e cada uma das três é total e inteiramente o um (pág. 87).
— Mas... e todos os milagres? As curas? Ressuscitar os mortos? Isso não prova que Jesus era Deus... você sabe, mais do que humano? — Não, isso prova que Jesus é realmente humano. [Papai continua...] — Fez isso como um ser humano dependente e limitado que confia na minha vida e no meu poder de trabalhar com ele e através dele. Jesus, como ser humano, não tinha poder para curar ninguém (pág. 90).
Esta é a beleza que você vê no meu relacionamento com Abba e Sarayu. Nós somos de fato submetidos uns aos outros, sempre fomos e sempre seremos. Papai é tão submetida a mim quanto eu a ela, ou Sarayu a mim, ou Papai a ela (pág. 129 – versão digital).
Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa (pág. 168).
“Se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebeste, seja anátema”! (Gl 1.9)
Soli Deo Gloria!!!
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14 de dezembro de 2009
Não venha o teu reino
“Não queremos que este reine sobre nós.” Lc 19:14
A doutrina da Providência afirma que Deus reina soberanamente sobre toda Sua criação. Isto significa que o Senhor sustenta e preserva a natureza, dirige a história e domina sobre os seres morais de forma que absolutamente nada acontece à parte de Sua vontade. Assim, a providência é a realização na história do que Deus decretou na eternidade, e este decreto é todo abrangente, incluindo tudo o que acontece, até o destino eterno dos seres morais (homens e anjos).
É necessário dizer que esta doutrina, ainda que menos conhecida que a da Predestinação, é alvo da mesma resistência por parte dos não-calvinistas que a conhecem. O motivo declarado é que ela faria Deus autor do pecado e culpado de todo mal existente no universo. Mas as raízes da rejeição à doutrina da providência são mais profundas do que é piedosamente externado.
Jesus contou uma parábola em que “certo homem nobre partiu para uma terra remota, a fim de tomar para si um reino e voltar depois” (Lc 19:12). Incumbindo servos de seus negócios, até seu retorno, partiu. Tendo partido, as pessoas daquele lugar enviaram atrás dele embaixadores, com a clara mensagem de que seu reino, vale dizer, o seu domínio sobre eles não era bem vindo. Tendo tomado posse do reino, voltou e pediu contas aos encarregados de seus negócios e em seguida ordenou “quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim” (Lc 19:27).
A vontade do homem é contrária à ideia da providência. Nenhum motivo, além da própria vontade, é apresentado para recusar o reinado divino. Não se coloca em dúvida as bases de Seu reino, a justiça do Soberano ou as vantagens de um tal reinado. Dizem simplesmente “não queremos!”. Em última análise, é a vontade caída e escrava do pecado que se revolta contra o senhorio de Deus e de Seu Cristo.
Mas, por que a vontade humana é contrária ao domínio de Deus? Porque este domínio é exercido “sobre nós”. Desde o Éden o homem acalenta a ilusão de ser como Deus, após dar ouvidos à mentira de Satanás “sereis como Deus” (Gn 3:5). No âmago da rebelião está a egolatria, os homens não querem ceder o lugar no trono de suas vidas ao Regente do universo. Acalentam o diabólico anseio de autonomia pensando “eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono” (Is 14:13). Que o Senhor reine nos céus é algo que o homem tolera, que reine sobre as forças da natureza é suportável, mas reinar sobre eles próprios? Não, isto é inaceitável! Que Deus controla os pensamentos e os corações, inclinando-os para fazer através deles a Sua vontade é algo que o orgulho humano não consegue engolir, embora seja isso mesmo que a Bíblia ensine. Lutam com unhas e dentes para manter a aparente autonomia que desfrutam.
Mas a verdade é que queiram ou não os homens, Deus reina. E reina absolutamente, não abrindo mão das prerrogativas de Sua soberania em favor de ninguém, pois em todo o Seu domínio Ele “faz todas as coisas, segundo o conselho da Sua vontade” (Ef 1:11). Embora pareça que sua vontade está sendo contrariada, a própria rebelião dos que rejeitam seu domínio serve aos Seus propósitos eternos. E, ao final, todos os que não se submeteram voluntariamente ao Seu domínio sofrerão o dano da segunda morte.
Soli Deo Gloria
Clóvis Gonçalves é blogueiro do Cinco Solas e escreve no 5 Calvinistas às segundas-feiras.
11 de dezembro de 2009
Soli Deo Gloria
Será que fazemos tudo para a glória de Deus? E isto intencionalmente? Será que fazemos amor para a glória de Deus? Será que vamos ao banheiro para a glória de Deus? Será que Deus é glorificado quando fazemos sexo? Será que Deus se satisfaz com nossas necessidades (fisiológicas)?
E ao pecar, dará você glória a Deus? E Deus é assim que precise da glorificação do homem?