18 de julho de 2011

Charles C. Ryrie e a expiação limitada

Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. Cl 2:14
Charles C. Ryrie é um teólogo batista dispensacionalista e professor de teologia sistemática. Tem um mestrado e três doutorados em teologia, escreveu várias obras de referência na área teológica, incluindo algumas traduzidas para o português: Teologia Básica ao Alcance de Todos (Mundo Cristão), Como Pregar Doutrinas Bíblicas (Mundo Cristão) e Dispensacionalismo: ajuda ou heresia? (ABECAR). Mas sua obra mais conhecida é a Bíblia Anotada Expandida. Ele é o que se costuma chamar de calvinista dos quatro pontos, pois rejeita o quinto deles, a redenção particular.

Na sua Teologia Básica, ele defende a expiação ilimitada e tenta responder ao argumento calvinista de que se Jesus pagou pelo pecado de todos, então os pecados dos não eleitos serão pagos duas vezes, pois já “foram pagos na cruz pela morte de Cristo e serão pagos novamente no julgamento”.

Ele começa questionando “os israelitas que se recusaram a colocar o sangue nas portas de sua casa na Páscoa tiveram seus pecados pagos duas vezes? Quando o cordeiro pascal foi morto, seus pecados foram encobertos. Mas se alguém não colocou o sangue nas portas morreu imediatamente. Esse foi um segundo pagamento por seus pecados? Claro que não”. Ele complementa dizendo que “a morte após a desobediência de passar o sangue foi a retribuição justa pelo fato de a pessoa não ter se apropriado do sacrifício suficiente”. Prosseguindo, ele argumenta que “a expiação de Cristo pagou pelos pecados do mundo todo, mas as pessoas devem se apropriar desse pagamento pela fé. O mundo foi reconciliado com Deus (2Co 5.19), mas essa população que foi reconciliada como um todo, precisa ser reconciliada individualmente com Deus (v. 20)”.

Ele recorre então a analogia de uma escola que tinha um fundo que recebia doações para custear os estudos dos alunos pobres. Um comitê decidia quais alunos receberiam o auxílio e emitia um cheque em nome do aluno, que para receber deveria endossar o cheque e com ele pagar a escola. Se ele não endossasse o cheque, não receberia o crédito, embora a conta já tivesse sido paga. Então Ryrie conclui que “a morte de Cristo pagou pelos pecados de todas as pessoas, mas ninguém teve a sua conta paga até o momento em que creu”. Há quem seja convencido pela simplicidade da explicação de Ryrie. Mas nunca é bom confundir simplicidade com verdade, pois embora a verdade geralmente seja simples, nem tudo o que é simples é verdadeiro.

O erro básico de Ryrie é confundir o papel da fé na apropriação dos benefícios da morte de Cristo pelo pecador, com a aceitação pelo Pai da satisfação oferecida por Cristo. Para que aquilo que Jesus conquistou na cruz seja aplicado na vida do cristão é necessário fé. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2:8). A fé é o meio pelo qual os benefícios da cruz se tornam reais na nossa vida.

Porém, a fé é absolutamente desnecessária para que Deus receba a satisfação oferecida pelo sacrifício de Jesus. Vamos entender bem a questão. Quando o homem pecou, tornou-se devedor de Deus. Uma nota promissória foi lavrada e Deus poderia executar sua justiça contra nós. “E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos” (Mt 10:24). De fato, a justiça de Deus requeria que a dívida fosse paga. “E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse” (Mt 18:25). É claro que o homem não pode pagar a dívida para com Deus. Então Jesus morreu no lugar dele para pagá-la. “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Is 53:10). A morte de Jesus satisfez completamente a demanda da justiça de Deus e ofereceu plena quitação da dívida.

É um completo absurdo pensar que a expiação oferecida por Jesus não tenha sido aceita pelo Pai, ficando em suspenso até o ingrediente da fé. Seria afrontoso se para que Deus considerasse a dívida paga, ao sangue de Jesus precisasse ser acrescido alguma coisa da parte do homem. Isso seria negar o valor intrínseco e a eficácia da morte de Jesus, e fazer do homem co-participante da expiação. Portanto, a fé do homem não complementa, nem confere eficácia ao sacrifício perfeito de Jesus. Noutras palavras, a fé é desnecessária para que o preço pago por Jesus seja aceito por Deus.

Sendo assim, como fica o arranjo de Ryrie para um preço completamente pago, mas ainda não realizado? Tenhamos em mente que ele não está falando dos eleitos, pois nestes o Senhor gera a fé necessária à apropriação da salvação. Ele está falando dos não eleitos, ou seja, dos que serão condenados no dia do juízo.

Consideremos os israelitas na noite da primeira páscoa, que são tomados como exemplo por Ryrie. Primeiro, que se ele quiser ser fiel ao relato bíblico, não deve considerar os israelitas como não eleitos, e sim os egípcios, pois os filhos de Israel eram o povo de Deus, e os egípcios os não eleitos. E a provisão de um cordeiro, para expiação, não foi feita para os egípcios, mas apenas para os judeus. Quanto aos eleitos, Deus tendo aceitado o sangue do Cordeiro, sempre os leva à fé necessária à apropriação, como ocorreu com os filhos de Israel: “E foram os filhos de Israel, e fizeram isso como o SENHOR ordenara a Moisés e a Arão, assim fizeram” (Ex 12:28). Já em favor dos egípcios (não eleitos), não havia Cordeiro preparado, e aconteceu que “à meia noite, que o SENHOR feriu a todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até ao primogênito do cativo que estava no cárcere... havia grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não houvesse um morto” (Ex 12:29-30)

Assim como Ryrie, também terminarei com uma analogia de pagamento. Pela lei brasileira, quando alguém financia um carro, o mesmo fica alienado à financeira. Em caso de atraso no pagamento, a financeira pode pedir na justiça a reintegração de posse, podendo inclusive contar com a força policial para recuperar o veículo. Se o cliente tiver se desfeito do carro ou escondê-lo, terá sua prisão decretada para forçar a entrega do bem. E uma vez apreendido, somente o pagamento integral da dívida, em até cinco dias, o livra de ir a leilão.

Agora, imagine que eu tenha financiado um carro e logo em seguida, perdido o emprego, ficando sem condições de pagar. O oficial de justiça me notifica que no dia seguinte a financeira virá buscar o carro. O problema é que eu o passei a terceiro, em troca da minha casa, e agora corro o risco de ir para a cadeia. Sem meu conhecimento, alguém vai até o juiz que emitiu a ordem de busca e apreensão e paga, não apenas as parcelas em atraso, mas o valor integral do financiamento. A partir do momento que o pagamento foi feito e aceito, existe alguma lei que possa me levar à prisão? Poderia, por exemplo, a financeira alegar que como não fui eu que realizei o pagamento ou porque não passei uma procuração para que um terceiro o fizesse, o pagamento não foi aceito? Claro que não. Se o juiz determinasse que eu pagasse de novo a dívida, estaria sendo injusto.

Assim, permanece em pé o argumento de que, se Jesus pagou por todos os pecados de todos os homens, então todos os homens serão salvos e Deus estaria agindo como um juiz injusto ao cobrar de novo uma dívida que já foi completamente paga.

Soli Deo Gloria

Clóvis Gonçalves é blogueiro do Cinco Solas e escreve no 5 Calvinistas às segundas-feiras.

11 comentários:

  1. Clóvis,

    Olha nós aqui outra vez!

    A fé não é uma condição necessária para Deus receber a satisfação feita pelo Filho, mas uma condição necessária para Deus outorgar os benefícios da morte de seu Filho. O que fica "em suspenso até o ingrediente da fé" são esses benefícios. Ryrie não comete este erro que está atribuindo a ele.

    É sempre perigoso reduzir a morte de Cristo a uma questão financeira. É quase certo de você cometer um engano, na melhor das hipóteses, e uma grave desonra a Cristo, na pior.

    Se eu devo a uma financeira, e alguém vai e paga a minha dívida, não há lei no Brasil que me faça ir para a cadeia. No entanto, não houve nenhuma graça da parte da financeira. Ela anulou a minha dívida por uma questão de justiça. E ela deve fazer isso imediatamente, não podendo impor nenhuma condição.

    A morte de Cristo somente de perto se assemelha a este quadro. A satisfação feita por Cristo é penal, não pecuniária. Se o que Cristo tivesse feito fosse como numa satisfação pecuniária, Deus teria, por uma questão de justiça, e não de graça, que liberar todos aqueles por quem a dívida foi paga, não podendo igualmente impor condição nenhuma além do que já foi pago.

    Mas Deus tanto nunca esteve sob a obrigação de aceitar a satisfação feita por Cristo como poderia impor a condição (não meritória) que ele quisesse para conceder os benefícios da morte de Cristo, já que ele tanto é o credor, o juiz e o autor da expiação.

    Dizer que todos aqueles por quem Cristo morreu deveriam ser salvos é cometer inúmeros equívocos:

    - Transforma a salvação numa questão de justiça, não de graça.
    - Coloca Deus na obrigação de aceitar uma satisfação pelos pecados.
    - Elimina a necessidade da fé.

    Ainda, se como você diz, "para que aquilo que Jesus conquistou na cruz seja aplicado na vida do cristão é necessário fé" e "a fé é o meio pelo qual os benefícios da cruz se tornam reais na nossa vida", como a regeneração pode preceder a fé? É impossível. A regeneração é um dos benefícios da cruz. Se a fé é o meio pelo qual os benefícios da cruz se tornam reais na nossa vida, a fé deve vir primeiro, ou ela não seria meio. Por isso um calvinista seria mais coerente se dissesse que "a fé é o meio pelo qual muitos (não todos) dos benefícios da cruz se tornam reais na nossa vida".

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  2. Voltei para acrescentar isto:

    A acusação de duplo pagamento pode ser igualmente, e com a mesma força, voltada para os defensores da Expiação Limitada.

    Se Jesus pagou pelos pecados dos eleitos há 2.000 anos atrás, por que um eleito, ainda incrédulo, encontra-se com todos os pecados em sua conta, como se Cristo não tivesse pago por eles? Jesus não pagou sua dívida? Por que eles ainda são contados como devedores?

    Se Jesus já pagou pelos pecados dos eleitos, então a dívida de todos os eleitos, que já viveram ou viverão, foi quitada na cruz e considerar um eleito (ainda incrédulo) como devedor (de uma dívida que já foi paga) é igualmente injusto.

    Ainda que os eleitos não vão pagar por seus próprios pecados, se eles ainda são contados como devedores, Deus estaria considerando-os devedores de uma dívida paga, o que é claramente injusto. Seria cobrar uma segunda vez.

    Eu sei que esta objeção é imprópria, assim como eu sei que a objeção contra a Expiação Ilimitada também é. Só estou contando para mostrar que o maior erro dos objetores da Expiação Ilimitada é tratar a morte de Cristo como se fosse uma dívida pecuniária. Ela não é. Há inúmeras diferenças.

    As Escrituras falam certamente da morte de Cristo como um pagamento, um resgate, mas são apenas imagens de um fato incomparável em todos os seus detalhes. Não há na terra algo que se possa comparar com o que Cristo fez. Usar essas imagens são meios empregados por Deus para ajustar a morte de Cristo ao nosso entendimento.

    Ora, uma dívida paga libera automaticamente o devedor. Será que a morte de Cristo libera automaticamente os eleitos ou o mundo inteiro? Pelo menos nisso eu sei que vamos concordar que a resposta é NÃO. Então, precisamos ter mais cuidado com nossas objeções a fim de não reduzirmos a morte de Cristo a uma mera transação comercial. Além de nos afastarmos das Escrituras, estaríamos depreciando o que Cristo fez por nós.

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  3. Paulo,

    Como sempre, nosso cortês confrade lhe dará a resposta apropriada se e quando lhe convier.

    Quanto a mim, só tenho a dizer duas coisas:
    1) Analogias são extremamente propensas a falhas e quem as faz certamente tem consciência disso. Então, para que brigar tanto com uma reles aproximação que não tem a menor intenção de dar conta da coisa toda?
    2) Seria bom, pelo mesmo motivo da falha analógica, mas ao contrário desta, que não nega a pobreza de si mesma e antes dela a falha é parte essencial e, se não declarada, tácita, evitar reducionismos. A salvação é uma questão de justiça. E de graça! Também, Deus se obriga ao que se obrigar. Tanto quanto tem misericórdia de quem tiver misericórdia. E tudo isso eternamente. Assim, "inúmeros equívocos" é bom evitar! Mas não como você supõe.

    A Deus a glória!
    Roberto

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  4. Roberto,

    Nosso "cortês confrade" é um irmão de longa data, por quem eu tenho a mais profunda consideração, e com quem eu mantenho a paz e união mesmo na diversidade. "Brigar tanto" é algo que eu não faria, especialmente com ele. No entanto, nossos desacordos são claramente visíveis, apesar do respeito mútuo.

    Suas considerações são muito bem-vindas.

    1) Todos nós temos consciência de que analogias são sempre propensas a falhas, mas nem todos conseguem identificá-las e usam as falhas para formar um argumento. Não estou falando de ninguém especificamente.

    2) Entendo o seu ponto quanto diz que a salvação é uma questão de justiça e de graça, mas o meu era bem diferente. Deus não foi obrigado a salvar aqueles por quem Cristo morreu, no sentido que, se Cristo pagou pelos pecados de uma pessoa, Deus deve, por uma questão de justiça, salvá-la. O que estou dizendo aqui você também pode ver em Hodge, Dabney, Shedd e tantos outros calvinistas.

    O seu ponto, acredito, é que Deus não viola suas demandas de justiça para salvar o homem. Sua justiça foi satisfeita, na cruz, e por isso Deus pode salvá-lo. Mas isso é outra questão, e não tem a ver com a minha alegação da qual você construiu sua objeção.

    Se "Deus se obriga ao que se obrigar", isso ainda é uma questão de graça. Afinal, Deus não foi obrigado a se obrigar ao que se obrigar. Espero que você não me venha com "Mas Deus se obriga a se obrigar ao que se obrigar" que nós não vamos parar nunca. ;)

    Quanto aos "inúmeros equívocos", somos geralmente inclinados a enxergar equívocos nos outros, mas somos míopes com os nossos. Todos somos assim. Por isso, entrego a Deus esta questão, e se um de nós está equivocado (ou ambos), Deus sabe que de minha parte, e acredito da sua, eu faço tudo para a glória de Deus, ainda que posso estar errando o alvo.

    A paz!

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  5. Paulo,
    Bom que nosso gentleman é considerado por você amigo. Mas isto não está em questão.
    A "briga", bem entendida, é o que está. E não sendo a briga a qual você não faria, a questão se mantém.
    1) Pois é, se não está a se dirigir a alguém, então o "tanto" da briga é o que incomoda. Bastaria um breve alerta.
    2) Não é isso, e não é necessário nenhum raciocínio ad infinitum. Se Sua justiça foi satisfeita na cruz, e o foi, Deus deve, e não apenas pode, salvar, pois é a isso que Se propõe. Este é o sentido de "Deus se obriga ao que se obrigar". Faz parte de Seu conselho eterno, e se mantém uma questão de justiça e graça, além de não violar a liberdade de Deus em Seu conselho.

    Isso faz-me lembrar, embora mude o foco, da máxima agostiniana: "Concede o que ordenas, e ordena o que queres".

    Por certo, meu caro, tendemos a nos cegar em nossos equívocos. Mas bem fazemos se conhecemos nossos fundamentos, e a cosmovisão que os segue, de forma a minimizarmos o erro. Por outro lado, é esta possibilidade constante de erro que nos impõe uma humildade epistêmica que nos permite chamarmos um ao outro irmãos. E, sim, em Deus conheceremos o que convém conhecer, se dEle somos.
    A Ele a glória eternamente!

    Roberto

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  6. Roberto,

    Estava falando disso aqui:

    "Nada disso procede no caso da satisfação judicial. Se um substituto é providenciado e aceito, é uma questão de graça. Sua satisfação não libera ipso facto. Ela pode resultar em benefício daqueles por quem é feita imediatamente ou em um período remoto; completa ou gradualmente; sob condições ou incondicionalmente; ou jamais poderá beneficiá-los, a menos que atenda à condição sob a qual sua aplicação é suspensa. Esses fatos são universalmente admitidos por aqueles que afirmam que a obra de Cristo é uma genuína e perfeita satisfação à justiça divina." Charles Hodge, Teologia Sistemática, p. 899.

    Há outros pontos interessantes no texto de Hodge:

    - Deus pode impor condições no caso de uma satisfação penal.
    - A morte de Cristo pode beneficiar ou não aqueles por quem ela foi feita. Os incrédulos irão morrer "a despeito da satisfação feita por seus pecados", como ele diz mais pra frente. E quem leu a TS de Hodge sabe que a doutrina da Expiação Limitada também enfrenta a acusação de duplo pagamento.

    Dizer que Deus "deve" salvar aqueles por quem a expiação foi feita e que a nossa salvação é "também uma questão de justiça" é algo estranho à Teologia.

    Enfim, argumentar que Deus estaria sendo injusto se punisse Cristo e posteriormente os incrédulos é fazer confusão entre satisfação pecuniária e judicial, tão frequente entre os calvinistas modernos.

    Paz!

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  7. Caro Paulo,

    Não há significado algum na afirmação de que dizer isso ou aquilo "é algo estranho à Teologia". É uma afirmação vazia.
    (Até porque, se a Teologia nunca o afirmou, afirmo eu, e serei original. Bem, duvido muito!)

    Quanto a Hodge, não preciso discordar dele ou concordar com o que diz para dizer que o que ele diz nada diz quanto ao que eu digo. Pois, concordando ou discordando dos possíveis aspectos legais que ele cita, nada mudará o fato de que Deus se obrigou ao que Se obrigou porque assim o quis e eternamente determinou.

    E, finalmente, tenho lá minhas reservas quanto ao reducionismo legal que você procura nos impor, quer se considere a aproximação pecuniária, quer a penal. Em todo caso, vejo muito mais confusão no reducionismo em si que na alegação de uma condicional, ambos sobre a justiça.
    E aqui até posso dizer que eu afirmaria tanto que "Deus estaria sendo injusto se punisse Cristo e posteriormente os incrédulos" quanto "Deus não estaria sendo injusto se punisse Cristo e posteriormente os incrédulos". Ambas dependem de um complemento: que Deus diz ser justo ou injusto? O primeiro caso afirmo se foi a isso que a Graça se propôs em Justiça. O segundo se a isso a Justiça se propõe conforme a Graça. Novamente: que diz o Senhor?
    E, também novamente: Deus é livre quer se proponha a fazer uma coisa ou outra.

    Mas, meu caro, também não há sentido em prolongar a pendenga, pois tudo isso, em verdade, diz-me muito pouco. E o meu ponto é, não o seu, mas que considero que você "briga" muito por nada.

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  8. Roberto Vargas Jr.,

    Pensei em não estender esse papo, mas acabei não resistindo.

    Se a Teologia nunca o afirmou, afirmo eu, e serei original.

    Sempre podemos ser originais em Teologia. Há um campo imenso a ser explorado ainda. No entanto, nos pilares da fé cristã, não há espaço para originalidade. Se a salvação é pela graça, ela não pode ser por justiça, e se alguém disser que é, ele estará sendo original, porém estará também derrubando um desses pilares, e isso é inadmissível.

    Você pode ser original apresentando um novo significado para o batismo, por exemplo, mas não pode ser original dizendo que o batismo não é mais exigido dos cristãos.

    Concordando ou discordando dos possíveis aspectos legais que ele cita, nada mudará o fato de que Deus se obrigou ao que Se obrigou porque assim o quis e eternamente determinou.

    Mesmo se fosse o caso de Deus ter se obrigado a se obrigar, isso ainda não tornaria a salvação uma questão de justiça, mas de fidelidade. Se Deus tivesse se comprometido a salvar todos aqueles por quem Cristo morreu, ele salvaria por fidelidade à sua palavra, não por justiça.

    E aqui até posso dizer que eu afirmaria tanto que "Deus estaria sendo injusto se punisse Cristo e posteriormente os incrédulos" quanto "Deus não estaria sendo injusto se punisse Cristo e posteriormente os incrédulos"... Deus é livre quer se proponha a fazer uma coisa ou outra.

    Desculpe, mas vou ter que discordar disso também. Não me veja como um importuno por causa disso.

    A justiça divina não é algo arbitrário, mas está ligada à sua natureza. Se a primeira afirmação é verdadeira, a segunda não poderia ser. Deus NÃO é livre para fazer uma coisa ou outra. Deus não tem liberdade absoluta. Sua liberdade vai até onde sua natureza santa permite ir.

    Mas, meu caro, também não há sentido em prolongar a pendenga, pois tudo isso, em verdade, diz-me muito pouco. E o meu ponto é, não o seu, mas que considero que você "briga" muito por nada.

    Ok, podemos encerrar por aqui.

    Na verdade, nunca me passou pela cabeça "brigar por nada", até porque eu não acho pouca coisa (muito menos "nada") estabelecer a verdade e diminuir as diferenças entre os cristãos.

    Mas se você reparar, não fui eu que comecei a "briga". Este tópico veio antes de minha resposta, e você veio falar comigo antes que eu me dirigisse a você. Não estou reclamando, foi muito agradável conversar com você. Só estou colocando tudo no seu devido lugar.

    A paz.

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  9. Caro Paulo,

    rsrsrs
    Não tenho ilusões de originalidade. Embora vez por outra tenhamos lampejos de um pensamento que nos eleve, nada há de novo sob este sol!
    Se falamos de Verdade e da teologia que a reflete, então a possibilidade de originalidade é mesmo nula. Talvez, se Deus nos permite, sobre-nos apenas alguma estética para de forma nova dizer o mesmo.

    Eu não disse que Deus se obriga a se obrigar, mas que se obriga ao que se obrigar. É bem diferente, embora eu possa dizer isso também sem afetar em nada a liberdade divina, e isto nada diz quanto à justiça (exceto que falamos do Justo, mas isto é um outro aspecto, que não abordo agora).

    Já quanto à justiça, ela é o que é conforme Deus diz ser. E Ele diz que cumpre a justiça na salvação que faz por graça. Pelo que não posso dizer que salvação não seja questão de graça e justiça.

    Eu não mencionei nada sobre Deus poder ir contra Sua natureza. Eu coloquei uma possibilidade lógica (bastante óbvia, por sinal): assim ou assim seria se assim ou assim fosse. Mas, como fato, é como é, conforme a Palavra Eterna.

    Ora, estabelecer a Verdade não é o ponto aqui, em relação à briga. Viajamos às questões de graça e justiça, mas sua briga, e meu incômodo, é quanto à analogia. E isto é nada. O resto foi divertido.

    No Senhor,
    Roberto

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  10. Ficamos assim:

    A salvação é pela graça, mas não sem satisfação à justiça.

    Não sei se ficou bom para você. Para mim, ficou.

    Abraços e até o próximo "round".

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  11. rsrsrs
    Até ficou bom. Mas pode ficar bem melhor: "A salvação é a satisfação da justiça pela graça".
    Até lá! rs

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