4 de fevereiro de 2010

A leitura da Bíblia na atualidade

Originalmente publicado aqui.


A Bíblia é muito divulgada e pouco lida. Quem deseja parecer mais "crente", levanta o grande volume da capa preta e proclama em alta voz os benefícios da leitura, ou, menos, apenas adverte severamente os que não a lêem, pronunciando imprecações sobre os biblicamente iletrados.

Ao mesmo tempo, tais advertências em muitas ocasiões não passam de retórica vazia e desequilibrada. (1) Vazia porque às vezes o próprio sujeito não tem contato com a Palavra de Deus. Lembro com um sorriso no rosto do adolescente que me ouviu pregar e depois da mensagem veio com a maior cara de curioso, analisou a Bíblia que eu tinha em mãos, e soltou a pergunta fatal: "Você já leu isso tudo?". Era espantoso para ele que alguém já tivesse lido toda a Escritura.

(2) Desequilibrada porque o infeliz não está preocupado com a leitura da Bíblia enquanto relacionamento com Deus, vida com o Pai, plenitude do Espírito nos lembrando das palavras do Filho. Nada disso. O seu argumento é puramente pragmático e moralista. Reclama com quem não lê a Bíblia porque simplesmente acha que as coisas devem ser do seu jeito, e porque é assim que funciona para o carinha obter o que deseja.

A Bíblia, então, deixou de ser um fim - a Palavra de Deus - para ser um meio: um talismã, um atrativo de bênçãos, um livro de receitas sobre a prosperidade, etc., etc.

Ler a Bíblia na atualidade é encarar as percepções culturais comuns sobre a realidade, confrontando-as com o ensinamento da Palavra de Deus, e aplicando a mensagem eterna ao nosso tempo. Isto desperta e mantém o processo de formação de uma visão de mundo bíblica, que é fundamental para todo cristão.

Elementos como a pré-compreensão, a análise textual, e a aplicação devem ser cuidadosamente observados.

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Em Fevereiro os 5 calvinistas pretendem levantar a discussão a respeito da Escritura. Junte-se a nós na reflexão bíblica sobre a Bíblia (o vício de linguagem é proposital).

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Allen Porto é blogueiro do A Bíblia, o Jornal e a Caneta, e escreve no 5 calvinistas às quintas-feiras.

2 comentários:

  1. Allen,
    Concordo com o que li, mas um fato se torna para mim uma perplexidade.
    Por vezes, olhamos no meio da congregação, ou entre as pessoas de nosso convívio fora da igreja, e vemos aqueles irmãozinhos que por um motivo ou outro demonstram não alcançar nada da sutileza teológica que por vezes é passada do púlpito.
    Isso gera uma angústia, mas também o questionamento se todo o arcabouço teológico é realmente necessário para se alcançar a revelação do Senhor na Sua Palavra, quando a simplicidade de algumas pessoas, até mesmo fora dos arraiais protestantes, parecem abarcar com mais propriedade o Deus que é amor, sem conseguir intelectualmente alcançar o Deus que justo e santo.
    Por óbvio que estou fazendo aqui o papel do advogado do diabo (detesto a expressão, mas não conheço outra para expressar a idéia - se você conhecer me diga que a substituirei imediatamente), mas gostaria que você estendesse essa questão.
    Um abraço,
    Luciano.

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  2. Allen,

    sinto-me, quase sempre, em débito com a Escritura. Nunca leio o suficiente, o quanto deveria ler; e, por muitas vezes, vejo-me perdendo tempo com outros livros, a tv, ou banalidades.

    Não que a leitura, o cinema, a tv, a música sejam pecados, e o crente não deva desfrutá-los. Não é isso. Mas é que a fatia de tempo gasto com a Bíblia é sempre menor do que com todas as outras coisas. E sei que poderia diminuir essa diferença, exatamente por saber que o fundamento do conhecimento divino é a Escritura. E se amo a Deus, devo conhecê-lo; do contrário, não existe amor.

    Seu alerta é providencial, pois eu mesmo acabo por exortar os outros (sejam irmãos ou não) à leitura bíblica, quando, nem sempre, sou fiel a ela. O que me levará a clamar a Deus para que me capacite, e encha o meu coração do desejo de conhecê-lo, ouvi-lo, e alegrar-me na Sua palavra.

    Grande abraço, meu irmão!

    Cristo o abençoe!

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