3 de fevereiro de 2010

Porque Ele é quem é, eu o adoro!

SENHOR, tu me sondas e me conheces.
Sabes quando me assento e quando me levanto;
De longe penetras os meus pensamentos.
Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar
E conheces todos os meus caminhos.
Ainda a palavra me não chegou à língua,
e tu, SENHOR, já a conheces toda.
Tu me cercas por trás e por diante
E sobre mim pões a mão.
Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim:
É sobremodo elevado, não o posso atingir.

Para onde me ausentarei do teu Espírito?
Para onde fugirei da tua face?
Se subo aos céus, lá estás;
Se faço a minha cama no mais profundo abismo,
Lá estás também;
Se tomo as asas da alvorada
E me detenho nos confins dos mares,
Ainda lá me haverá de guiar a tua mão,
E a tua destra me susterá.
Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão,
E a luz ao redor de mim se fará noite,
Até as próprias trevas não te serão escuras:
As trevas e a luz são a mesma coisa.

Pois tu formaste o meu interior
Tu me teceste no seio de minha mãe.
Graças te du, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste;
As tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem;
Os meus ossos não te foram encobertos,
Quando no oculto fui formado e entretecido
Como nas profundezas da terra.
Os teus olhos me viram a substância ainda informe,
E no teu livro foram escritos todos os meus dias,
Cada um deles escrito e determinado,
Quando nem um deles havia ainda.
Que precisoso para mim, ó Deus, são os teus pensamentos!
E como é grande a soma deles!
Se os contasse, excedem os grãos de areia;
Contaria, contaria, sem jamais chegar ao fim.

Tomara, ó Deus, desses cabo do perverso;
aparati-vos, pois, de mim, homens de sangue.
Eles se rebelam insidiosamente contra ti
E como teus inimigos falam malícia.
Não aborreço eu, SENHOR, os que te aborrecem?
E não abomino os que contra ti se levantam?
Aborreço-os com ódio consumado;
Para mim são inimigos de fato.
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração,
Prova-me e conhece os meus pensamentos;
Vê se há em mim algum caminho mau
E guia-me pelo caminho eterno. (Salmo 139:1-24)
Em quem eu posso realmente confiar? Talvez essa seja uma das perguntas que mais afligem os brasileiros no século XXI. Muitos não sabem se têm mais medo dos bandidos ou dos policiais. Os políticos, que deveriam ser um exemplo para a sociedade, estão no fundo do poço da credibilidade. Empresários não são confiáveis por serem ricos, mas não se confia também em muitos movimentos chamados "sociais", que dizem defender os mais pobres. Liga-se a televisão, mas não se acredita no que dizem os telejornais. Até o amor virou dúvida. Como consagrou Vinicius de Moraes, "que seja infinito enquanto dure".

Mas essa dúvida sobre em quem confiar é antiga. E uma rápida análise da vida do rei Davi mostra isso. De herói por ter derrubado o gigante, Davi foi transformado em bandido, por representar uma ameaça ao rei Saul. Quando ele foi pedir ajuda aos sacerdotes do templo, o fato foi delatado ao rei, e oitenta e cinco pessoas morreram por tê-lo auxiliado. Ele livra a cidade de Queila das mãos dos filisteus, mas os habitantes que foram salvos por ele não hesitariam em entregá-lo nas mãos de inimigos. Se fosse olhar para o próprio passado, Davi aprenderia a desconfiar de quase todas as pessoas.

No entanto, havia uma pessoa em quem Davi confiava acima de todos os outros. Ele confiava plenamente em Deus. Era o Senhor quem deveria sondá-lo, conhecê-lo e guiá-lo. Somente Ele poderia cuidar dos caminhos de Davi.

O Onisciente me conhece
E por que Davi entregava o seu destino nas mãos do Senhor? A primeira resposta é que somente Deus conhecia profundamente o coração dele.

Davi abre o salmo reconhecendo que Deus o sonda e o conhece. Constantemente Deus olha para a vida do rei e o acompanha em todas as suas ações, quer ele esteja ativo ou passivo, andando ou deitado. Mais do que isso: até mesmo os pensamentos e as palavras de Davi são transparentes para Deus, que conhece todos os caminhos de seu servo, embora ele mesmo não soubesse de todos eles, a ponto de pedir que Deus visse se ele estava ou não em algum caminho mau.

O que Davi está reconhecendo aqui é que o Senhor conhece todas as coisas, o que é chamado de onisciência. Hoje, muitas pessoas não refletem mais nesse atributo e talvez até considerem essa meditação um exercício fútil e árido de alguns teólogos. Já há pastores e teólogos que vão mais longe e negam que o Senhor conheça o futuro. Ensinam um Deus que não é mais onisciente.

Mas, se é assim, como confiar que Deus sabe o melhor para nós? Como pedir que Ele nos mostre o mau caminho de nossa vida se Ele não sabe de tudo? Talvez Ele se engane em alguma coisa...

Contudo, não era assim que Davi pensava. Ele cria que Deus sabia de tudo, que Ele conhecia a Davi melhor do que ele mesmo. Por isso, Davi adorava ao Senhor.

O Onipresente está onde eu estou
Mas o Senhor não era apenas aquele que conhecia a Davi. Ele também o acompanhava, mesmo quando a última companhia desejada por Davi era a do Deus Vivo.

Não há como escapar do Senhor. A face de Deus e a presença do Espírito Santo estão em todos os lugares. Podemos subir ao céu ou descer aos abismos, ir até o Sol ou fugir para o meio dos oceanos, buscá-Lo na luz ou refugiar-se nas trevas. Deus continua a cercar-nos por trás e por diante, a mão d'Ele está posta sobre os Seus escolhidos, a quem Ele guia e sustenta o tempo todo, quer percebamos, quer não.

Na sociedade do século XXI, onde temos várias formas de nos comunicarmos com outras pessoas, a solidão e o isolamento continuam a afligir milhões. De fato, muitos se sentem jogados no mais fundo abismo, mesmo morando em um prédio de 20 andares e mais de 100 apartamentos ocupados. Para estes, Davi diz que o Senhor está perto, sendo a nossa companhia o tempo todo.

Por outro lado, muitos se levantam contra Deus e querem fugir dele. Correm de igrejas, rasgam Bíblias e evitam qualquer religioso que possa mencionar o nome de Deus. Para estes, Davi diz que é impossível fugir do Senhor e que nem mesmo o pecado pode mantê-Lo longe de seus escolhidos.

Porque o Senhor está em todo lugar, Ele está sempre comigo, me guiando e sustentando. Essa é a música do rei salmista. E, por isso, Davi adora ao Senhor.

O Onipotente dirige os meus passos
Deus conhece o coração dos homens e está sempre do lado deles. Mas, mais do que isso: Deus escreve, soberanamente, o destino das pessoas e intervêm em suas vidas. E, por isso, Davi o adora.

Ao contrário do homem contemporâneo, que se pretende senhor de seu destino e ignora a Deus em suas decisões, Davi reconhece, desde o início, que sua origem é divina. Foi o Senhor quem o formou, quem fez da substância informe um ser humano completo. Mais: antes do nascimento de Davi, Deus já havia escrito e determinado todos os seus dias. O Senhor, com as suas mãos, fez a Davi e escreveu o seu destino.

Porém, os seres humanos não reconhecem mais o trabalho de Deus na vida dos seres humanos. Mães abortam, imaginando que o fruto de seu ventre não é vida, que os embriões crescem apenas sugando a força do corpo materno e ignorando o trabalho de Deus. Os homens rejeitam a ideia de que Deus tenha escrito como deve ser as suas vidas, e num ato de "independência" se proclamam senhores de seus próprios destinos. E assim, se transformam nos homens perversos e rebeldes que Davi odeia. Tornam-se inimigos de Deus e inimigos de Seus filhos.

Davi, porém, cria no Deus Soberano e O servia. Ao proclamar como ele dependia de Deus e reconhecer o Seu poder de determinar o curso de sua existência, Davi proclamava servir a um Deus Onipotente, que pode todas as coisas, o Todo-Poderoso. E, por isso, ele pedia não só que o Senhor o conhecesse e provasse, mas também que o guiasse pelo caminho eterno. Suplicava que Deus interviesse em Sua vida para guiá-Lo pelo bom caminho.

Conclusão
Reconhecer que Deus é o Onisiciente, o Onipresente e o Onipotente não é um capricho de teólogos, um exercício mental vazio e estéril, sem relevância para o homem comum. Na verdade, meditar nessas verdades é reconhecer que precisamos de Deus, é enxergar que Ele é digno de nossa confiança, é perceber que nossa vida deve ser depositada em Suas mãos santas, pois somos incapazes de cuidar bem dela com nossas mãos frágeis e impuras.

Os verdadeiros cristãos adoram a Deus não apenas porque Ele nos faz o bem, mas acima de tudo porque olhamos para quem Ele é. E ao olharmos para a essência de Deus, aí sim começamos a entender as Suas obras e percebemos que n'Ele podemos confiar.

Soli Deo Gloria!

P.S: Peço perdão pelo "furo" das últimas quartas. É que alguns dos 5 Calvinistas estão correndo bastante nesse início de ano. E peço, desde já, orações pelas nossas vidas e por esses projetos. Obrigado!

Helder Nozima é pastor presbiteriano, blogueiro do Reforma e Carisma e escreve às quartas-feiras no 5 Calvinistas.

2 comentários:

  1. Prosseguindo em conhece-lo, discordamos de qualquer confiança que não seja somente por ele!

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