3 de dezembro de 2010

Da suposta “Teonomia” nos Símbolos de Fé de Westminster

Uma das coisas que mais me irrita num debate são os argumentos puramente eisegéticos de pessoas que se acham exegéticas. A enorme capacidade que elas tem de distorcer por completo a mensagem básica de um texto simples e ainda assim querer sustentar nele as suas utopias teológicas me assusta! Afinal de contas, é sempre muito mais fácil atribuir a um texto nossas próprias ideias (eisegese) do que se esforçar para extrair a ideia que o seu autor tinha em mente quando o escreveu (exegese). E foi justamente uma baita duma eisegese o que fez o Luciano, blogueiro do Ministério Cristão Apologético (MCA). Recentemente ele acusou o Helder Nozima, que é pastor presbiteriano, de ferir os Símbolos de Fé de Westminster – quais sejam a Confissão de Fé de Westminster (CFW), o Catecismo Maior (CM) e o Breve Catecismo (BC) –, adotados pela Igreja Presbiteriana do Brasil (e por outras ao redor do mundo), pelo simples fato do Helder ter discordado das posições ditas “teonômicas” de uma minoria extremada entre nós, aliancistas, que pretende a todo custo cristianizar o mundo até o retorno de Cristo (a velha ilusão pós-milenista) por meio da aplicação literal das leis cívicas veterotestamentárias ao século XXI. Como presbiteriano que sou, me proponho a esclarecer o ponto quanto aos símbolos de fé de minha denominação, não apenas em solidariedade ao Helder e ao presbiterianismo sóbrio que defendemos, mas sobretudo em favor da veracidade dos fatos.

O blogueiro do MCA começa a se contrapor ao Helder usando o Catecismo Maior de Westminster (CM). Sua intenção era a de “ajudar” o blogueiro do 5 Calvinistas “quanto à criminalização da homossexualidade” (tema que gerou toda a discussão), a qual ele acusou nosso calvinista de minimizá-la. Inicialmente, o blogueiro do MCA se utiliza da pergunta e resposta 191 do CM.

Pergunta 191: O que pedimos na segunda petição?
Resposta: Na segunda petição, que é: “Venha o teu reino” – reconhecendo que nós e todos os homens estamos, por natureza, sob o domínio do pecado e de Satanás[1] –, pedimos que o domínio do mal seja destruído[2], o Evangelho seja propagado por todo o mundo[3], os judeus chamados[4], e a plenitude dos gentios seja consumada[5]; que a igreja seja provida de todos os oficiais e ordenanças do Evangelho[6], purificada da corrupção[7], aprovada e mantida pelo magistrado civil[8]; que as ordenanças de Cristo sejam administradas com pureza, feitas eficazes para a conversão daqueles que estão ainda nos seus pecados, e para a confirmação, conforto e edificação dos que estão já convertidos[9]; que Cristo reine nos nossos corações, aqui[10], e apresse o tempo da sua segunda vinda e de reinarmos nós com ele para sempre[11]; que lhe apraza exercer o reino de seu poder em todo o mundo, do modo que melhor contribua para estes fins[12].

Referências bíblicas:

[1] Ef 2.2,3; [2] Sl 68.1; Ap 12.9; [3] 2 Ts 3.1; [4] Rm 10.1; [5] Rm 11.25; Sl 67.1-2; [6] Mt 9.38; [7] Ef 5.26-27; Ml 1.11; [8] 1 Tm 2.1,2; Is 49.23; [9] 2 Co 4.2; At 26.18; 2 Ts 2.16-17; [10] Ef 3.14,17; [11] Ap 22.20; [12] 2 Tm 2.12; Is 45.3-4; Is 64.1-2.

Negrito do MCA.

Sinceramente, até agora não entendi o que tem a ver a manutenção da igreja pelo magistrado civil (negritado pelo MCA) com a criminalização da homossexualidade. É bom que se diga, antes de tudo, e também para dirimir possíveis mal entendidos, que o CM não está sugerindo que a igreja seja mantida financeiramente pelo Estado, visto que a referência bíblica usada para esta questão é o texto de 1 Timóteo 2.1-2, no qual Paulo exorta os crentes a orarem em favor dos seus respectivos governantes, “para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito”, o que implica dizer que a delegação de Westminster tinham em mente o direito que cada cidadão tem à livre profissão de fé, bem como a não interferência do Estado nessas questões (cf. CFW XXIII.3). Mas talvez o blogueiro do MCA não tenha percebido isso (sim, ele omitiu essa referência bíblica do CM em eu blog), e ainda teve a empáfia de pedir pro Helder prestar atenção se é assim mesmo que ele ora pela vinda do Reino de Deus (quanto à segunda petição da Oração Dominical)! Ora, para que o CM se encaixasse melhor no esquema (e na oração!) pós-milenista/teonomista, seria mais interessante se o Luciano tivesse negritado outras palavras. Vou socorrê-lo aqui. Ele bem que poderia ter negritado o trecho onde diz “pedimos que o domínio do mal seja destruído, o Evangelho seja propagado por todo o mundo, os judeus chamados, e a plenitude dos gentios seja consumada” – o que faria do CM… teonomista? Claro que não! Pelos seguintes motivos:

  1. O sistema corrupto (o “domínio do mal”) no qual vivemos, instaurado em decorrência do pecado e da influência das hostes malignas sobre este mundo, só será totalmente destruído por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, quando a ordem por fim será devolvida à criação; e
  2. Desejar que o Evangelho seja propagado por todo o mundo não é o mesmo que desejar que todos o obedeçam, visto que tal coisa jamais acontecerá (a menos que o universalismo seja verdade). Além do quê, os teólogos de Westminster citam em seguida “os judeus chamados” e “a plenitude dos gentios consumada”, apontando para a universalidade do alcance do Evangelho e sua consumação escatológica, e não à suposta obediência das nações à sua mensagem; o que implica dizer que
  3. Está derrubada a pretensão “confessional” do esquema pós-milenista/teonomista!

Depois, o referido blogueiro ainda vai fazer uso da pergunta 190 do CM.

Pergunta 190: O que pedimos na primeira petição?
Resposta: Na primeira petição, que é: “Santificado seja o teu nome” – reconhecendo a inteira incapacidade e indisposição que há em nós e em todos os homens, de honrar a Deus como é devido -, pedimos que ele, pela sua graça, nos habilite e nos incline, a nós e aos demais, a conhecê-lo, confessá-lo e altamente estimar, a ele e a seus títulos, atributos, ordenanças, palavras, obras e tudo aquilo por meio do qual ele se dá a conhecer; a glorificá-lo em pensamentos, palavras e obras; que ele impeça e remova o ateísmo, a ignorância, a idolatria, a profanação e tudo quanto o desonre; que pela sua soberana providência dirija e disponha tudo para a sua própria glória.

[Negrito do MCA].

Quanto ao trecho negritado pelo Luciano, entendo porque ele não foi mais seletivo, como lhe sugeri no parágrafo anterior. É porque se ele admitisse que é somente “pela sua graça [de Deus] que os homens são habilitados a se inclinar, conhecer, confessar e altamente estimar a Deus; seus títulos, atributos, ordenanças, palavras, obras e tudo aquilo por meio do qual Ele se dá a conhecer; e a glorificá-lO em pensamentos, palavras e obras, então o esquema pós-milenista/teonômico da implantação de uma lei que Cristo já aboliu na cruz (sim, as leis civis!) mais uma vez estaria destruído.

Embora o Luciano não cite diretamente a CFW, vale a pena incluí-la aqui. Será que ela endossa o tal “teonomismo” de alguns pós-milenistas? Vejamos o que ela diz no capítulo que trata especificamente da Lei de Deus (XIX.4):

A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus deu leis civis, que deixaram de vigorar quando o país dele deixou de existir, e que agora não se obriga a ninguém além do que exige a sua eqüidade geral.

Êx. 21 e 22.1-29; Gn. 49.10; Mt 5.38-39.

Não é preciso ser nenhum expert em símbolos de fé para que se perceba que aqui a CFW, em vez de apoiar, claramente rejeita a continuidade dessa tal “teonomia” pregada pelos aliancistas extremos. Nas palavras da bancada de Westminster, as leis civis “deixaram de vigorar” quando o Estado teocrático de Israel se findou. Particularmente interessante é a referência que aqueles distintos teólogos fizeram ao texto de Mateus 5.38-39, onde Jesus, em vez de aprovar a retaliação (que era uma permissão que a Lei concedia sob certas circunstâncias), exalta o princípio da auto-renúncia e do amor ao próximo (que era, na realidade, o grande mandamento – ou a essência – da Lei), tendo em vista que os escribas e fariseus queriam fazer uso de tal permissão para legitimar a vingança pessoal (o que chamamos atualmente de “justiça com as próprias mãos”), em vez de entregarem o caso ao Estado, a quem Deus confiou a espada (Estado este que por sua vez deveria julgar os casos de acordo com a proporcionalidade do crime cometido, sem ser demasiadamente severo ou indulgente).

Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra [Mt 5.38-39].

Já que foi citado algo sobre o dever do Estado, que diz a CFW quanto a isso? Vejamos (cap. XXIII.3):

[...] é dever dos magistrados civis proteger a pessoa e o bom nome de cada um dos seus jurisdicionados, de modo que a ninguém seja permitido, sob pretexto de religião ou de incredulidade, ofender, perseguir, maltratar ou injuriar qualquer outra pessoa [...].

Certos teonomistas devem estar extremamente decepcionados com o posicionamento daquela delegação que se reuniu por quase seis anos (de julho de 1643 a fevereiro de 1649) na Abadia de Westminster, na Inglaterra. “Sob pretexto de religião” (ou da falta desta), aqueles brilhantes teólogos jamais estimulariam a ofensa, a perseguição, o maltrato ou a injúria a quem quer que fosse, mas certamente lutariam para que a reputação (“o bom nome”) de cada indivíduo fosse protegida, bem como seus direitos. Não estou sugerindo que os teonomistas ofendem, perseguem, maltratam ou injuriam os pecadores, mas apenas lhes mostrando que a CFW se mostra muito mais favorável a um Estado Democrático do que a um Estado Teocrático (sugiro a leitura de todo do Cap. XXIII), visto que a teocracia como a queremos só virá em toda sua plenitude quando Cristo estabelecer de uma vez por todas o Seu Trono de Glória por ocasião daquele Grande Dia. Certamente não é ruim desejar a Teocracia (quem não deseja a parousia?), mas penso que seja muito mau querer antecipá-la e impô-la, e ainda mais por meios impróprios, para não dizer obsoletos! E isto certamente derruba de uma vez por todas o esquema utópico daqueles que querem descer o céu à força – dos pós-milenistas e de sua ala mais radical, os tais teonomistas.

Mas não me espanta que certos indivíduos dentre eles se mostrem incoerentes, não. Confrontado pelo Helder em relação ao contexto histórico em que se deu a Assembleia de Westminster, o blogueiro do MCA, em vez de dar uma resposta digamos “apologética” (pra valer a pena o nome do blog), respondeu dizendo que “não vou dar […] razões do que escrevi acima sobre o CM”. Impressionante o quanto ele é apologético, não é mesmo? Mais impressionante ainda foi o apoio que ele recebeu de alguns Internautas Cristãos, que lhe disseram: “Luciano, você está em concordância com a Escritura e com a fé cristã histórica e reformada. Continue firme no SENHOR”. Escritura? Fé cristã histórica e reformada? Por favor, caros irmãos, mostrem-me qual Escritura, qual fé, qual cristianismo, qual História, qual calvinismo! Eu também quero saber! A não ser que de fato isso tudo que vocês pregam não exista na tradição reformada dos puritanos de Westminster, como me esforcei para mostrar aqui. Sinto muito, mas penso que não foi dessa vez que os nossos valiosos símbolos de fé reformados endossaram a ilusão pós-milenista/teonomista de vocês. E penso que não o farão nunca!

Soli Deo Gloria!

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P.S: O Breve Catecismo não entrou na discussão porque (1) não foi citado pelo Luciano e (2) porque é quase que um resumo do Catecismo Maior, o que tornaria sua análise puramente redundante.

39 comentários:

  1. Caro Leonardo,

    Concordo plenamente com a sua exposição, aliás, muitos dos argumentos usados aqui eu já usei para combater esse "teonomismo" defendido por alguns irmãos e especificamente por alguns pós-milenistas preteristas parciais/reconstrucionistas. Assim como você, eu sempre afirmei que isso é pura utopia, e um baita de um anacronismo!

    A análise feita pelos nossos irmãos sobre teonomia é de fato simplista, à luz da própria Bíblia, da CFW e dos catecismos, como restou absoluta e terminantemente demonstrado em seu excelente texto.

    Ora, Romanos 1 mostra claramente que a boa nova veio para todos, não somente para os da "promessa", mas também para os gentios. Esse é o Evangelho da graça, que substituiu a lei. E ainda assim, querem trazer a lei de volta, aplicando-a da forma como foi gestada por Deus a uma nação específica (Israel), em um tempo determinado (alguns milênios atrás). Com todo respeito aos meus amados irmãos: que besteira!!!

    Sugiro que esses irmãos leiam Lucas 16:16 : "A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o Evangelho do Reino de Deus, e todo homem se esforça para entrar nele".

    Ricardo.

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  2. Leonardo,

    Parabéns, seu artigo está muito bem escrito. Confesso que nunca me detive a analisar os argumentos teonomistas, mas sua análise dos Símbolos da Fé mostram que pretender aplicar a lei civil do AT hoje vai de encontro ao que pensavam os teólogos de Westminster. Além de contrariar, até onde entendo a questão, o espírito do Novo Testamento.

    Quanto ao pós-milenismo, embora um e outro argumento tragam dificulade ao meu pré-milenismo histórico, ainda o acho utópico demais.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  3. Querido irmão Leonardo, paz e graça.
    Quero começar lembrando o irmão, que sou presbiteriano também, recém formado no IBEL e em 2011 missionário de uma das agências da IPB.

    Minha leitura dos Símbolos, e de vários outros presbiterianos (vários mesmo...) não está fora de contexto.
    Quero lembrá-lo que seu esforço em defender o irmão Nozima é inútil, ele já deu a resposta, veja:"Sobre a Assembleia de Westminster, há que se considerar que ela foi feita às expensas do Estado britânico. Mas hoje em dia a IPB não pede o apoio do magistrado civil para ser sustentada financeiramente."
    Depois irmão Leonardo, vc termina assim: "A não ser que de fato isso tudo que vocês pregam não exista na tradição reformada dos puritanos de Westminster, > como me esforcei para mostrar aqui."

    Quem aqui está certo? Você ou ele?

    Eu não vou responder no blog MCA essa postagem.

    Não quero mais entrar em confronto com vcs. Nada pelo que o irmão Helder ameaçou, pois em um cometário ele reconheceu que foi afoito, e eu errei tb por não saber da questão. Ele me pediu desculpa e eu acredito nele. Tirei até a parte em vermelho da postagem...
    Mas não sei se vou contribuir para unidade cristã e especialmente reformada, postando debates com irmãos. Declino.
    Convencido estou do que postei, e vários outros reformados sóbrios.
    Posso responder aqui, mas não sei se continuarei esse assunto.
    um abraço

    Luciano
    de seu conservo.
    mcapologetico.blogspot.com

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  4. irmão Clóvis,
    pelo jeito tb não leu o que pensamento teotômico indica nos ´Símbolos.
    Tem gente burra como eu, daí o irmão Leonardo pode dar uma aula... mas entre os teonomistas, existe alguns que merecem respeito... acredito que vc saiba alguns nomes...
    A coisa não é tão simples assim, quando conversamos pessoalmente com vários 'reverendos' da IPB que não poderiam se manifestar sobre tal assunto...
    um abraço,
    Luciano

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  5. Ricardo,

    Obrigado pelo apoio e também pelas referências bíblicas adicionais que lançam mais luz ainda sobre questão (e contra os teonomistas, lógico!). Fico feliz por saber que você também tem se esforçado para esclarecer os que ainda sonham com a Teonomia e os que flertam com os sonhadores.

    Abraços!

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  6. Clóvis,

    Confesso que eu também nunca me detive a analisar mais de perto (como estou fazendo agora) os argumentos dos teonomistas, visto que são tão poucos os seus representantes dentre a tradição reformada histórica que eu nem os percebia tanto. Aliás, eu até flertei com as ideias deles meio sem querer (e sem nunca ter ouvido falar em Teonomia) algum tempo atrás, mas logo me vi em apuros exegéticos/hermenêuticos, e aí caí fora (ou, "fui tirado", pra usar uma terminologia mais reformada. hehehe!). O fato é que eles ainda não acordaram do sonho, o que talvez o façam por ocasião do estrondo que a parousia há de trazer consigo.

    Abraços!

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  7. Caro Leonardo
    Que bom que o Helder finalmente decidiu subscrever a CFW! Por coerência ele se abandonou o pentecostalismo [ops! Continuísmo] também?

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  8. Como o Helder Nozima é de origem batista e, talvez, não entendeu ainda o que é ser subscrevente dos Padrões de Westminster e em sua argumentação com os caras da CM está tentando frustradamente ensinar como interpretar os Padrões de Westminster, recomendo que ele leia:
    1. R. Scott Clark, Recovering the Reformed Confession [P&R Publishing]
    2. Robert Letham, The Westminster Assembly - reading its theology in historical context [P&R Publishing]
    3. David Hall, The Pratice of Confessional Subscription [Covenant Foundation]

    P.S.* Não sou teonomista.

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  9. Luciano,

    Primeiramente, parabéns por ser presbiteriano, formado no IBEL e futuro missionário de uma das agências da IPB.

    Mas devo lhe dizer que sua "leitura" dos Símbolos de Fé foi mesmo a sua leitura - eisegética -, e não a leitura dos teólogos que redigiram aqueles documentos. E você ainda cita "vários" outros presbiterianos - "vários mesmo" (sic) - que apoiam seu ponto de vista (ou é você que se apoia neles?). Deixa eu adivinhar que presbiterianos seriam esses... Deixa eu ver... Ah, o Gary North? O Greg Bansen? O Rushdoony? Mas pelo que você falou pro Clóvis, deu a entender que você conhece pastores presbiterianos aqui do Brasil "que não poderiam se manifestar" sobre esse assunto (pós-milenismo teonômico). Por que eles não "poderiam" se manifestar? Por medo de serem flagrados em contraponto aos Símbolos de Fé que tanto dizem defender, será?

    Quanto ao meu "esforço em defender o Nozima", deixei bem claro que meu principal objetivo era o de expor a veracidade dos fatos que você deliberadamente ignorou. O que acho da resposta do Helder quanto o contexto da Assembleia de Westminster? Errada!, e penso que não precisarei pedir desculpas a ele por isso. Mostrei que o que estava em questão não era a manutenção financeira da Igreja pelo Estado, e sim a manutenção da sua liberdade de expressão e culto. Mas se talvez você tivesse, como bom apologeta (pressuposicionalista, ainda por cima), incluído a referência bíblica (fundamental, penso) ao texto de 1 Tm 2.1-2 que o CM fez quanto a isso, quem sabe a história não seria outra? Quem está certo, eu ou o Helder? Bem, diante do exposto, penso que eu. E espero que aqui você não esteja fazendo uma cortina de fumaça ao me jogar contra o Helder (na realidade, ao pensar que está de fato me jogando...) somente pra esconder a sua própria fraqueza argumentativa!

    E sabe por quê você não responderá a esta postagem em seu blog? É porque não poderá escapar das evidências que aqui apresentei a todos - o que não me torna, evidentemente, em nenhum "professor" de Símbolos de Fé. Se você ainda insistir em torcer o texto a seu favor, ou recorrer a algum teonomista famoso (Bahnsen, North, Rushdoony...) que porventura tenha escrito um comentário eisegético aos Símbolos de Fé de Westminster, nos dando links e mais links para clicar, o debate ainda pode durar. Se não (e oro para que assim seja), é hora mesmo de você declinar - não do debate, mas do sonho prolongado que o Pós-milenismo teonomista parece ter imposto sobre você.

    Em Cristo,
    Leonardo.

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  10. Caro Ewerton,

    Obrigado por visitar este blog.

    Quanto ao Helder, prefiro que ele mesmo te responda. Mas obrigado pelas referências bibliográficas. Ah, e também por não ser teonomista! rsrs!

    Abraços!

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  11. Ewerton,

    Fiquei muito na dúvida sobre sua intenção aqui. Esperei que Helder ou Leonardo, se o conhecem, pudessem me indicá-la. Como um ainda não apareceu e o outro me frustrou, melhor é dizer...

    Primeiro, um tanto ironicamente, quanto ao primeiro comentário, ao Leonardo: que bom que não somos todos prebiterianos nem adotamos todos sua visão do que seja um bom presbiteriano, quiçá um bom cristão, não?

    Depois, já sem tanto gosto, mas sem deixar a ironia, quanto ao comentário ao Helder:
    1) Isso é sugestão ou é um argumento? Pois o argumento dos teonomistas (que termo mais infeliz!) é sempre assim: "leia isso, leia aquilo". Um belíssimo argumento, sem dúvida.
    2)Mas se é sugestão, seria bom lançar alguma luz ao que quis dizer. Nem todos aqui são, como eu já disse, presbiterianos, ainda que sejam calvinistas. Talvez seja só impressão pela ignorância, mas por ignorante que seja, seu comentário me soou, no mínimo, mal educado.
    3) Até porque, se há alguma piadinha de gueto aí, ela não teve graça para além do gueto.

    Bem, melhor ir só até aqui. Afinal, posso estar enganado. Mas se estou, e já que é a primeira vez que leio sua pena, é bom demonstrar respeito. No mínimo com um mínimo de clareza.

    Ao Senhor a glória,
    Roberto

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  12. caros,

    Penso ser equilibrado deixar a defesa exclusivamente aos atacados, ou supostamente atacados... Mesmo porque, despiciendo considerar que todos por aqui são capazes de se defender, sem a necessidade de um corporativismo que se denunciaria maléfico ao verdadeiro Evangelho. Ademais, cada integrante dos cinco, a meu ver, é capaz de promover a própria defesa não é mesmo? Logo, se os motivos do Ewerton são desconhecidos, sutis ou ardilosos, que tal ouvirmos dele as suas justificativas, assim como a contestação de quem de direito?


    Grande abraço a todos.

    Ricardo.

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  13. Caro Roberto
    Faço parte dos pastores presbiterianos que subscrevem os padrões de Westminster de forma estrita. Isto envolve não ser pentecostal [veja por ex., a CFW I.1 "tendo cessado os antigos modos de Deus revelar..."].

    Ao recomendar leituras o fiz por uma questão de economia rsrsrsrr. O que questionei foi sobre qual critério Helder interpreta e se lança contra os Teonomistas alegando que eles distorcem os Padrões de Westminster, se ele faz o mesmo.

    Não é uma crítica de gueto, meu querido, é uma crítica de quem é respaldado pela identidade presbiteriana/reformada à quem os Padrões de Westminster tem um valor representativo real.

    É um prazer lê-lo, e grato pela atenção.
    Pr Ewerton B. Tokashiki

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  14. Como alguém pode ser um bom cristão, se chamado por um concílio à subscrecer um documento doutrinário, faz reservas mentais, ou nega algo que é essencial ao sistema teológico adotado, como por ex., o Sola Scriptura?

    Seria melhor e por coerência que vocês se autoproclamassem neocalvinistas, ou 3 calvinista e 1/2, ou qualquer coisa assim. A fama de pentecostal do Helder é bem conhecida, e ele pelo menos é honesto para admitir. Assim, como ele pode repreender alguém que julga interpretar erroneamente os Padrões de Westminster, se ele mesmo é incoerente com a denominação que o ordenou e com este padrão?

    Será que ele quererá me processar também?

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  15. Luciano,

    Estou na África e até alguns instantes atrás, estava em um safari vendo rinocerontes, girafas e longe de conexões a Internet. Por isso só respondo agora.

    Lembro-me de quando tive aulas com o atual reitor do Seminário Presbiteriano de Brasília, Rev. Marcos Alexandre. Ele dizia sempre o seguinte "aquele que sabe bem a Bíblia, não precisa se preocupar com os Símbolos de Fé". Por dois motivos. O primeiro é que os Símbolos refletem, em sua maioria, a Bíblia (tenho divergências, como foi acusado aqui). O segundo é que, constitucionalmente, a Bíblia tem precedência sobre os Símbolos.

    Não tenho vergonha em reconhecer quando alguém sabe mais do que eu. E o Luciano sabe, acato a resposta dele. Mas não ignoro o contexto histórico. A Assembleia de Westminster foi convocada para fazer os estatutos de uma igreja que seria a oficial do Reino Unido. Logo, uma igreja estatal era o objetivo do debate. E isso nunca pode ser esquecido na exegese dos símbolos.

    No mais, os argumentos, meus e do Leonardo, estão aí. Que cada leitor julgue os argumentos e forme sua opinião.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  16. Ewerton,

    Eu uso a Bíblia para provar os meus pontos de vista sobre qualquer assunto. Acho que apelar para os Símbolos de Fé é desnecessário, até porque a blogosfera não é a IPB e eu tenho que usar uma autoridade que seja aceita por todos. Considero inquestionável que, caso a Bíblia diga A, e os Símbolos de Fé digam B, que se jogue fora a confissão e se fique com a Bíblia.

    Eu não falei de Símbolos de Fé aqui, mas sim no MCA. Se você quer questionar minha interpretação, deveria fazer lá no MCA. Aqui você pode questionar a do Leonardo. Mas, mesmo assim, melhor do que indicar livros seria apontar o erro e prová-lo. Claro, no local apropriado, que não é aqui, num post do Leonardo.

    Sobre minhas origens, orgulho-me de ser convertido na Assembleia de Deus e batizado na Igreja Batista. Estudei com uma presbiteriana que jamais abriu a boca para me dizer qualquer coisa do evangelho, mas o assembleiano pregou fervorosamente e me amou, mesmo quando zombei dele e de Deus. Na igreja batista adquiri uma base bíblica que não vi em muitos jovens presbiterianos.

    Não sou pentecostal, sou continuísta. O senhor que entende tanto de teologia deve saber a diferença. Mas, como nasci na fé no pentecostalismo, recebo os pentecostais como irmãos amados, que têm muito a ensinar, a mim...e ao senhor também. Gostaria muito de ter várias qualidades que vejo nesses irmãos amados.

    Todavia, a mim me causa estranheza mencionar essa opção teológica aqui. No 5C temos um cessacionista, um pentecostal, dois continuístas e um que não se posicionou abertamente. Para manter a ordem, não mencionamos este assunto aqui, mas sim nos nossos blogs individuais. Só posso entender o seu comentário como uma tentativa baixa e rasteira de me atacar pessoalmente. O senhor poderia, pelo menos, ter a gentileza de fazê-lo em um post meu, ou melhor ainda, em meu blog pessoal.

    Já sei que o senhor considera que pastores continuístas devem sair da IPB. Mas já que o senhor teve coragem de vir aqui mencionar o fato...cobro-lhe, pela segunda vez a coerência. O senhor acha que minha postura é incompatível com o pastorado na IPB? Ora, junte provas e apresente-as ao Presbitério do Distrito Federal, que se reúne ordinariamente nesta semana e peça a minha exclusão. Quer a minha cabeça? Não seja por isso, venha tirá-la, se tiver coragem para isso!

    Sim, trate da sua questão contra mim no "foro apropriado". Melhor do que ofender os batistas (um dos 5 é batista) e os pentecostais (outro dos 5 é pentecostal) na casa dos 5 Calvinistas! Não tenho medo de defender meu ponto de vista em qualquer concílio, acho que a IPB deveria discutir o assunto...e, se Deus me considerar a pessoa predeterminada por Ele para marcar o debate, amém, sinto-me honrado! Se a IPB me cassar por ser cessacionista, amém, nada mais honroso do que sofrer por defender a verdade do Evangelho.

    Seja cristão, corajoso e coerente. Vamos tratar de nossas diferenças onde elas se dão, nos concílios da IPB. Não venha me atacar só em blogs, leve o caso a quem pode resolvê-lo. E, por favor, pare de ofender gratuitamente meus companheiros de blog e irmãos a quem amo muito: pentecostais e batistas.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  17. Luciano,

    Errata. Onde se lê: "E o Luciano sabe, acato a resposta dele. "

    Leia-se: "E o LEONARDO sabe, acato a resposta dele."

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  18. Ricardo,
    Não estou a defender o Helder, se é isso o que você entendeu. Estou a exigir o respeito a mim de quem entra em minha casa. E antes disso, exijo respeito a qualquer leitor. Se alguém quer dizer algo, que seja claro e propositivo. Senão, cale-se.

    Ewerton,
    Sim, sua postura é mesmo ofensiva, tanto ao Helder como a mim e aos demais leitores (como acabo de deixar claro ao Ricardo). Leitores que nada tem a ver com sua diferença de gueto.
    Sim: de gueto! Sua piada (ou sua ironia, como queira) de mau gosto é de gueto, sua crítica é de gueto. E dou graças que conheço presbiterianos que vivem fora do gueto. Se testemunho é o que você quer ver, comece por você.
    E, a propósito de testemunho, quer falar em amargura? Olhe-se no espelho! Ou você acha que seu comentário aqui pode soar diferente disso?

    Helder,
    O post é seu e combinamos que o autor é o responsável pela aprovação dos comentários. Mas, de minha parte, ou seu colega se apresenta com a humildade que se faz necessária ou não o publicamos mais. (Se é que ele tem algum interesse genuíno no que falamos aqui.)

    A Deus seja sempre a glória. Pois dEle ela é!
    Roberto

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  19. Ah, Ewerton, mais uma coisa.

    Nunca distorci a CFW para dizer que ela é continuísta. Sempre disse que ela é sim cessacionista. O que eu disse, antes, e digo agora, é que neste ponto a CFW está ERRADA. Logo, vc pode me acusar de interpretar com erro a Bíblia, e não a CFW.

    E, mesmo assim...se vejo um erro de interpretação da CFW, posso apontá-lo. O fato de discordar dela em um ponto não me torna inapto a comentá-la ou criticar a interpretação feita por terceiros. Essa impossibilidade de associação só faz sentido na sua mente.

    Sobre a minha honestidade em ser pastor e discordar da CFW, o Art. 14, "c" da Constituição da IPB diz:

    "Art.14 - São deveres dos membros da Igreja, conforme o ensino e o espírito de Nosso Senhor Jesus Cristo:

    d) obedecer as autoridades da Igreja, enquanto estas permanecerem fiéis às Sagradas Escrituras;"

    Se é dever de MEMBRO obedecer às autoridades enquanto elas permanecem fiéis, entendo que o mesmo é exigido de PASTORES. Também jurei que a CFW é uma exposição fiel, e não perfeita, da Escritura. Concordo com mais de 95% do conteúdo, acho-a fiel. Não me vejo como culpado.

    Acho deplorável responder isso aqui, mas não posso dar a impressão de ser covarde (alguém que foge do debate) e nem de desonrado (por isso defendi-me aqui também).

    Mas reitero o dito do Roberto. Se seus comentários não forem respeitosos, não serão mais aceitos em nossa casa.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  20. Ops!
    Helder, vê? A coisa é tão absurda que me enganei: o post NÃO é seu! Mas isso só torna a situação ainda pior.
    Roberto

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  21. Errata.

    Onde se lê: "Se a IPB me cassar por ser cessacionista, amém, nada mais honroso do que sofrer por defender a verdade do Evangelho."

    Leia-se: "Se a IPB me cassar por NÃO ser cessacionista, amém, nada mais honroso do que sofrer por defender a verdade do Evangelho."

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  22. E eu pensava que o principio do sola scriptura dizia que a única autoridade é a Biblia. Pelo visto muitos anseiam por levar o Magisterium católico para a IPB.

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  23. Hélder suas respostas aos comentários preconceituosos, altivos e de cunho sectário, exclusivista, ao Ewerton foram excelentes.

    É uma pena que muitos colocam uma confissão de fé sobre a Escritura e ainda proclamam o Sola Scriptura em seus comentários.

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  24. Diego,

    Obrigado pelo apoio.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  25. "A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus deu leis civis, que deixaram de vigorar quando o país dele deixou de existir, e que agora não se obriga a ninguém além do que exige a sua eqüidade geral."

    Ao invés de refutar a teonomia, esse trecho da CFW a confirma, pois diz que a equidade geral é exigida atualmente.

    Isso quer dizer que os princípios penais e judiciais da Lei são transculturais e atemporais.

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  26. Afe! Que interpretação de textos exemplar. Deixa-se de associar o "deixaram de vigorar" com "leis civis" para fazê-las associarem-se a "eqüidade" que ora se exige. Estou deveras impressionado!
    Lembrou-me um tal RN...
    Deus, misericórdia!
    Roberto

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  27. Rodolfo,

    Atenha-se ao texto nos seus comentários. Nada contra você publicar ideias contrárias às do texto. Mas comentários sobre a administração do blog não são bem-vindos. Se quiser que seu comentário seja publicado, reescreva-o com mais educação.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  28. Rodolfo,

    Se a parte penal da Lei permanece, na verdade a parte do "não se obriga a ninguém" perde o sentido.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  29. Rodolfo,

    Eu já expliquei o que entendo por equidade no parágrafo acima da citação a Mt 5.38-39. Aliás, este foi, como mostrei, o texto bíblico que os próprios teólogos de Westminster utilizaram para definirem o que é equidade. Não vou explicar de novo. Leia o texto com atenção e evite fazer perguntas que já foram respondidas.

    nEle,
    Leonardo.

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  30. Ewerton,

    Essa sua postura me lembra muito o famigerado discurso do pessoal do G12: "e aí, você tá na 'visão'"? Sinceramente, desprezo esse tipo de patrulhamento "de gueto" (como bem disse o Roberto), bem típico dos medíocres. Infelizmente, você não é o único a pensar assim. Infelizmente!

    nEle,
    Leonardo.

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  31. Helder,
    Talvez fosse melhor publicar o comentário do Rodolfo para expô-lo. Poderia se tornar didático. Eu lhe responderei de todo modo...

    Rodolfo,
    Eu não me impressiono com você, mas com sua interpretação. Portanto, não cabe um "também". O que apenas demonstra o nível de sua leitura.
    Debate? Ora, debata e debateremos. Sua afirmação não é passível de debate de tão despropositada. E é isso o que mais me incomoda em tanta gente. Elas querem tanto falar, mas não possuem qualquer disposição em ouvir. Se se propõem a falar uma tal asneira, que se preparem para serem tratados com se apresentaram. Mas se não se querem tidos por asnos, não se portem como um.
    Não que cada um de nós não seja tolo em algum momento. Sim, todos somos e apenas a razão redimida em Cristo pode nos livrar de nossa estultície. Porém, se libertos, aprendamos e tenhamos a humildade que convém.
    Quanto a sua interpretação, ela é comum por demais para que eu a deixe passar como um pequeno desvio. Não, o erro é crasso demais. O erro é absurdo demais. Equidade é justiça, e é o que há para se guardar, como a Lei de Deus em nossos corações, e não a lei civil mosaica apontada na afirmação confessional como revogada. Novamente: debater? Aprenda a ler, então debateremos. Seja propositivo e humilde, então terá a boa recepção que espera. Estou farto de quem se aproxima de um assunto com tal desonestidade ou com arrogante ignorância.
    E, sim, eu sei, eu causo impressão nas pessoas. para o bem ou para o mal, perfume de vida ou cheiro de morte. Não temo, diante de Deus, por isso.

    Ao Senhor minha razão, como todo o resto de mim,
    Roberto

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  32. Você disse:

    Você manda ler o capítulo XXII e cita até algumas de suas palavras "sob o pretexto de religião" e comenta como os teonomistas devem estar decepcionados com os delegados de Westminster.

    O que você talvez não saiba é o fato histórico de que o capítulo XXII ao qual você se refere foi escrito por americanos nos Estados Unidos e não pela Assembléia de Westminster.O capítulo XXII foi alterado pelos americanos DEPOIS da independência. O que temos agora não é a Confissão de Westminster original, mas a versão alterada.

    A colônia de Rhode Island nos Estados Unidos foi o primeiro estado em toda História do Ocidente com um governo "religiosamente neutro". Isso aconteceu em 1644 sob o comando do batista Roger Williams. Mas até 1775, todos os estados americanos - com exceção de Rhode Island - exigiam que os magistrados fizessem juramento trinitariano, na maioria dos casos com a Bíblia aberta em Deuteronômio 28 (falando sobre as bençãos e maldições nacionais).

    Em 1776, deístas e maçons conseguiram convencer as pessoas de que mesmo com somente entre 1% - 2,5% de impostos, eles estavam sob algum tipo de tirania britânica. Em meio a isso, colocaram na Constituição Americana no Artigo VI, cláusula 3 (sem o conhecimento do grande público):

    "Nenhum requisito religioso poderá ser erigido como condição para a nomeação para cargo público".

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  33. A Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos seguiu a Constituição e logo depois da independência alterou o capítulo XXIII da Confissão, "DO MAGISTRADO CIVIL" para que pudesse se conformar ao novo pluralismo. A CFW que temos na IPB, não é a Confissão de Westminster original, mas a versão americana que foi mudada pra não refletir o pensamento anterior que era o padrão puritano.

    A versão atual foi completamente reescrita por eles. A versão original dizia:

    CAPÍTULO XXIII
    DO MAGISTRADO CIVIL

    I. Deus, o Senhor Supremo e Rei de todo o mundo, para a sua glória e para o bem público, constituiu sobre o povo magistrados civis que lhe são sujeitos, e a este fim, os armou com o poder da espada para defesa e incentivo dos bons e castigo dos malfeitores.

    ...

    III. Os magistrados civis não podem assumir para si a administração da Palavra e dos sacramentos, ou o poder das chaves do reino dos céus, mas têm autoridade e é seu dever... que blasfêmias e heresias sejam suprimidas..."

    Você poderá ler a versão original aqui:

    http://www.reformed.org/documents/wcf_with_proofs/

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  34. George Gillespie, um escocês e um dos mais importantes teólogos da assembléia de Westminster escreveu:

    "Em lugar nenhum de todo o Novo Testamento, lemos a respeito da abolição da lei judicial naquilo que se refere ao castigo por pecados contra a Lei Moral... Se não fosse assim, então o magistrado é livre para escolher castigos conforme o seu próprio arbítrio. Mas isso não é uma coisa arbitrária, pois ele é ministro de Deus Rom. 13.4, o julgamento pertencence ao Senhor Deut. 1.7; 2 Chron. 19.6..."- VVholesome Severity

    O livro na íntegra pode ser lido aqui:

    http://www.covenanter.org/GGillespie/wholesome_severity.html

    Esse é um clássico dos clássicos da teonomia.

    Samuel Ruthford foi outro importantíssimo delegado da Assembléia de Westminster. Ele é famoso por sua obra "Lex, Rex" onde ele advoga o governo limitado e o constitucionalismo. Sua obra influenciou muito John Locke depois.

    Em sua obra "A Free Disputation", ele defende exatamente a mesma coisa que George Gillespie em "VVholesome Severity".

    O livro pode ser lido na íntegra aqui:

    http://thirdmill.org/newfiles/sam_rutherford/sam_rutherford.FreeDisputation.html

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  35. Mas um questionamento importante pode surgir aqui. Como tais palavras de membros da Assembléia de Westminster podem ser conciliadas com as palavras da Confissão que de fato estavam na Confissão original dizem:

    "A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus concedeu diversas leis judiciais que deixaram de vigorar quando o país daquele povo também deixou de existir, e que agora não obrigam a ninguém além do que exige a sua eqüidade geral. Ref. Êx 21:1-36;22:1-29; Gn 49:10; Mt 5:38-39. (CFW, XIX,iii e iv)

    Isso explicado com clareza pelo puritano inglês William Perkins:

    "Portanto as leis judiciais de Moisés... precisam ser diferenciadas, pois são de dois tipos: algumas são de eqüidade particular, outras de eqüidade geral... Estas podem ser resumidas como:

    1. Leis de eqüidade particular são leis que eram obrigatórias somente sob as circunstâncias especiais da comunidade Judaica.

    2. Leis de eqüidade geral são leis que são obrigatórias pra judeus e gentios. Essas leis são fundamentadas na lei moral e portanto são universalmente obrigatórias..." - A Discourse of Conscience

    A questão ai é tratada extensivamente na literatura puritana, inclusive de muitos membros da Assembléia de Westminster. É uma distinção feita claramente na Bíblia. A nação de Israel, enquanto a vocação dos gentios não chegava e estava sob o Antigo Pacto, foi marcada por diversos rituais, mandamentos e leis judiciais que eram referentee a situação passageira dela como nação separada. É sobre isso que a confissão está falando: "A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus concedeu diversas leis judiciais que deixaram de vigorar quando o país daquele povo também deixou de existir..."

    Na parte 4 do capítulo seguinte da Confissão, nós lemos:

    "Visto que os poderes que Deus ordenou, e a liberdade que Cristo comprou, não foram por Deus designados para destruir, mas para que mutuamente nos apoiemos e preservemos uns aos outros, resistem à ordenança de Deus os que, sob pretexto de liberdade cristã, se opõem a qualquer poder legítimo, civil ou religioso, ou ao exercício dele. Se publicarem opiniões ou mantiverem práticas contrárias à luz da natureza ou aos reconhecidos princípios do Cristianismo concernentes à fé, ao culto ou ao procedimento; se publicarem opiniões, ou mantiverem práticas contrárias ao poder da piedade ou que, por sua própria natureza ou pelo modo de publicá-las e mantê-las, são destrutivas da paz externa da Igreja e da ordem que Cristo estabeleceu nela, podem, de justiça ser processados e visitados com as censuras eclesiásticas e pelo poder do magistrado civil".

    A parte final, "e pelo poder do magistrado civil" não pode ser encontrada na Confissão que temos na IPB. Ela também foi retirada pelos americanos junto com a mudança no capítulo XXIII. Mas isso estava na Confissão original. Veja no link que eu coloquei aqui. E o texto prova usado pra essa parte eram Deuteronomio 13:6-12; Esdras 7:23-28; Neemias 13:15, 17, 21, 22, 25, 30; 2 Reis 23:5, 6, 9, 20, 21; 2 Crônicas 34:33; 2 Crônicas 15:12, 13, 16; e Daniel 3:29. Cheque as referências veja claramente como "Essas leis são fundamentadas na lei moral e portanto são universalmente obrigatórias...".

    Os princípios teonomicos foram explicados com muita clareza por John Owen. Isso pode ser lido aqui:

    http://books.google.com/books?id=mX0AAAAAMAAJ&lpg=PA385&ots=jcSWjE7-y4&dq=That%20to%20revile%2C%20or%20blaspheme%20this%20God%2C%20or%20his%20name%2C%20is%20an%20evil%20to%20be%20punished%20by%20them%20who%20have%20%27jus%20puniendi%2C%27&pg=PA385#v=onepage&q=That%20to%20revile%2C%20or%20blaspheme%20this%20God%2C%20or%20his%20name%2C%20is%20an%20evil%20to%20be%20punished%20by%20them%20who%20have%20%27jus%20puniendi%2C%27&f=true

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  36. E agora gente, como fica depois desse esclarecimento que o Frank Brito nos trouxe?
    no aguardo..

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  37. Gostaria muito de ver resposta a esses questionamentos!

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